Pesquisar este blog

Seguidores

Total de visualizações de página


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Brincando de boneca

Lelê: Pai, vem cá. Quem fez isso?
Lelê me interrogou com uma cara de meio riso no canto da boca de “foi você que aprontou isso?”.
Eu: Noooossssaaaa, que menina mais traquina! É uma peralta! Como foi que ela conseguiu fazer isso? Como se explica que ela tenha essa capacidade para tal?
Lelê fica me ouvindo como se estivesse desconfiada do que estou falando, batendo as pontas dos dedos de um pé no chão repetidamente, e como se estivesse a dizer que eu não tenho jeito mesmo.
Eu: Eu juro, minha filha, que não foi eu. Garanto que foi atitude dela mesma.
E me olhando com o rabo de um olho me intimida à explicações.
A questão é que quando ela entrou em seu quarto deu de cara com sua boneca de pano na posição de pé-de-bananeira, ou seja, aquela posição que a gente faz quando é criança, que fica com as duas mãos apoiadas no chão e ficamos de cabeça para baixo em relação ao chão.
Enquanto ela distrai um pouco lá por baixo volto ao seu quarto e invento outras posições com suas bonecas.
Agora coloquei a boneca por entre a colcha da cama, aparecendo apenas a cabecinha dela, como se estivesse olhando curiosamente quem chegasse no quarto de Lelê. Depois só ouço a voz:
Lelê: De novo, pai!
Ela grita e quando chego no quarto ela adora que eu mudei a posição da boneca. Mais tarde um pouco ela não mais está no quarto, está lá embaixo novamente, de propósito, se disfarçando para dar tempo para eu ir lá colocar a boneca em uma nova posição. Então peguei uma outra bonequinha, menorzinha, e encaixei nos braços da boneca de pano, como se fosse uma mãe cuidando de seu filho no colo, sentada na cama junto ao travesseiro.
Lelê: Ô pai, você não tem jeito! Fala com sorriso entreaberto.
Em outras vezes já tentei colocar a boneca com um dedo no nariz, mas não sustenta; com os braços abarcando o violão de Lelê, mas não deu; pregada no teto, mas foi impossível; como se estivesse dando uma banana, mas seus braços são flexíveis demais; ah, consegui colocar um livro entre suas mãos e braços como se fosse uma leitora devoradora de livros e já coloquei gibi também.
Já que eu não vou brincar de bonecas com Lelê, eu simulo as bonecas brincando para elas poderem brincar com Lelê.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Já não se faz universitário como antigamente.

Estávamos indo a um coquetel no meu carro eu, Mauri e Letícia. Lelê estava ouvindo música no rádio de meu celular, e, para não acabar a bateria pedi que ouvisse música no som do carro. Então fiquemos ouvindo a música que Lelê estava ouvindo, e era uma música sertaneja. Já falei num post bem antigo aí pra trás que Lelê tem um gosto musical eclético. Da MPB ao sertanejo ela passa por todas as linhas evolutivas e involutivas – sei que essa palavra não existe – musicais.
A música sertaneja que Lelê estava ouvindo, segundo ela, era uma sertaneja universitária.
Eu: Música sertaneja universitária?
Lelê: Sim.
Eu: Com essas letras ridículas?
Lelê: Sim, pai.
Eu: E quem são essas duplas sertanejas universitárias?
Lelê: Vítor e Leo... – E citou outros tantos que eu nem mais me lembro.
Eu: Mas, minha filha, esses caras tem mestrado ou doutorado em quê? Ou, eles têm graduação em quê?
Lelê: O quê?
Eu: Nada, esquece.
Mauri: Já não se faz universitário como antigamente.
Lelê vai formando sua história musical de acordo com o que a indústria cultural vai lhe apresentando, como foi minha formação com os universitários Chico Buarque e companhia tropicalista e outros movimentos de quadris e de cabeça. Cabe a mim e a Maurinete aparar as arestas e encaminhá-la para experimentar outros segmentos mais degustativos. Pelo menos penso assim.
A cerveja que bebi no coquetel fez com que eu ficasse martelando minha cabeça com uma repetição, como uma estrofe musical: “sertanejo universitário, vejam só”, “sertanejo universitário, vejam só”, “sertanejo universitário, vejam só”...
É, estou passado...

terça-feira, 27 de abril de 2010

O penteado

Para ir a festa de primeira comunhão Lelê deu uma caprichada no pêlo, digo, no cabelo. Fez uma escovinha. Ficou muito bonito. Sou suspeito para falar, mas na opinião da mulherada toda que viu, não teve ninguém para dizer que não ficou legal. E a própria Lelê ficou toda exultante, se achando, a própria!
Falei pra Lelê que eu já imaginava as palavras e a cara de admiração de suas colegas do colégio com um típico: “Letííííciiaaaa! Como ficou lindo seu cabelo, cara!”; “Nooossaaaa, Lê, você está o máximo!”... Ela riu e falou que foi exatamente assim.
Minha mãe, minhas irmãs, todo mundo quando a via já abriam a caixa de elogios e sapecavam no seu ego. Com essa fermentação adjetiva, detestável para as obras dos escritores – Graciliano Ramos rejeitava –, eu vi a ora Lelê explodir de tão inchada estava seu espírito de vaidade feminina. Qual mulher não gosta de receber um ramalhete de adjetivos florais?
Esse Eyjafjallajoekull de elogios, fez com que Letícia tornasse seu cabelo o pivô de sua atenção com o espelho. Virava a cabeça prum lado, virava pro outro, alisava aqui, mexia pro outro lado... Mas se observarmos direitinho Letícia é a alma da mulher vaidosa, da mulher que se cuida, da mulher que se admira. Ela é, nesse presente momento, a miniatura das mulheres adultas vaidosas. Não, não é ‘vai, idosas’! Simplesmente é: vaidosas.
Todo dia quando Lelê vai pro colégio, ao tomar banho, ela molha seu cabelo, e tem quase três dias que Lelê não quer molhá-lo, não quer desmanchar sua pedra de toque
Não, Lelê não demonstra que a beleza é o centro da atenção para tudo. Percebo que ela não viaja nessa.
Como todo dia, telefono pra minha mãe, e, hoje, ela perguntou-me: “Letícia já molhou o cabelo? Tava tão bunitim” – falou com seu sotaque de paraibana. Para desencanto de minha mãe e de todas as mulheres do mundo, anuncio que Letícia Alves Pereira Passos molhou o cabelo. Buááááá!!! Eu quero o cabelo de minha filha escovadinho!
Mas Lelê já falou que agora vai fazer esse penteado com mais freqüência para o bem geral da nação e de todas as mulheres do mundo.
Ah, tirei fotos desse penteado. Quando revelar – ih! Minha máquina ainda não é digital! – tentarei burlar minha ignorância megabytes para postar aqui essas fotos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Teatro

Domingo passado fomos ao teatro. Eu, Lelê e Mauri. Era uma peça que já havíamos visto no início deste ano. Trata-se da peça Momentos, apresentada por um grupo de estudantes da escola de Letícia, ou seja, colegas de seu colégio. A temática é a aids, e, por isso, acredito que ela teria mais repercurssão se seu nome tivesse alguma vinculação com o nome aids. Chamaria mais atenção e teria, consequentemente, mais público. Essa apresentação foi no teatro de bolso de uma escola, e, por isso, Lelê não gostou tanto como pela primeira vez. Fiz-lhe ver que nessa nova montagem o espaço era pequeníssimo e daí os atores não tinham muito ambiente para se movimentarem, falavam baixo, e tiveram que reestruturar algumas cenas. Por outro lado os atores estavam mais próximos da platéia. Mesmo essas argumentações não fizeram demovê-la de que a primeira apresentação em localidade maior foi muito melhor. Mas mesmo assim não duvido de que no próximo fim de semana ela queira ver novamente essa espetáculo, mas eu e Maurinete não vamos cair em sua armadilha da obsessão. Sim, é obsessão. Quando ela se apaixona por um filme, por uma peça teatral, por um cd, por um dvd... ela irá vê-lo, ouvi-lo à exaustão. Ela é, nesse sentido, como diria o grande dramaturgo Nelson Rodrigues, uma flor da obsessão. O próprio Nelson se achava obsessivo em suas repetições. Mas isso eu já escrevi há muito tempo aí atrás.
Quando Lelê era menorzinha frequentávamos mais o teatro. O teatro infantil. A Escola Parque é testemunha de que não perdíamos uma apresentação teatral, principalmente do grupo Néia e Nando, grupo famoso daqui de Brasília especializado em teatro para a gurizada. Mas a vontade mesmo é que ela cresça mais para assistirmos teatro mais adulto, só assim eu e Maurinete voltaremos a frequentar melhor o teatro, uma das grandes paixões artísticas nossa.
Caramba, agora me lembrei de que estou devendo o texto, em livro, da peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, para Lelê ler – percebi o cacófato. É que ela, e eu também, perdemos as contas de quantas vezes ela já viu o filme homônimo na versão de Guel Arraes e também a versão de Renato Aragão. De longe ela prefere a versão de Guel Arraes.
É verdade que a avalanche de deveres, provas, testes e trabalhos escolares de Lelê está tirando a nossa frequência ao teatro.

domingo, 25 de abril de 2010

Óstia

Igreja lotada. Familiares dos catequistas em peso marcaram presença. Como sempre, crianças chorando, eu quero mamãe, criança deitada no chão alheia a tudo e a todos, inclusive aos santos. Era a oficialização da turma de catequistas que receberiam a primeira comunhão.
Máquinas fotográficas digitais, de todos os tamhos e formatos, é a nova mania. Registro de fotos torna-se comum. Que o digam os orkuts da vida na internet. E o registro por escrito, onde encontrar?
No sermão o padre diz que os catequistas devem receber Cristo como se estivessem recepcionando uma pessoa em sua casa, quando procuramos deixá-la arrumada, bonita, para as visitas. Como se fosse uma visita do Papa, uma visita de Lula, ou a visita de um professor da escola do catequista. Aproveita e dá uma bronca nos pais porque não frequentam a igreja com regularidade para trazer seus filhos também, que, com o tempo vai imitá-los.
O momento esperado: os catequistas comungam. Fiquei observando a expectativa deles. Recebem as óstias e as colocam em suas bocas. Comecei a rir porque alguns ficaram a comentar entre eles – eu estava bem pertinho deles – que o sabor da óstia não era legal ou não tinha sabor. Lógico, essa gurizada acostumada com os hamburgueres dos Mc Donalds da vida não vai sentir gosto nenhum numa óstia feita a trigo e água.
Devido a troca de comentários sobre o sabor da óstia veio a primeira bronca evangelizadora do padre. Não era pra conversar nesse momento com os colegas, e sim, com Cristo. O padre pagou geral.
Letícia falou que realmente a óstia não tinha lá esse goooosto. Maurinete observou que óstia não era tira-gosto. Eu sei do sabor da óstia porque comi muito quando era criança e adorava. Eram óstias que não estavam ainda consagradas e que dona Odília, nossa vizinha, recebia da diocese de minha cidade para selecioná-las, retirando as quebradas, as que eu e meus irmãos comíamos.
Encerrada a cerimônia. Mais fotos, filmagens, confraternizações entre todos. Ufa! O processo burocrático para se tornar um religioso oficial é longo e nem sabemos se esses pimpolhos realmente querem isso ou estão ali por livre e espontânea pressão familiar.

sábado, 24 de abril de 2010

1ª. Confissão

Amanhã será a primeira comunhão de Lelê, e, para isso, hoje ela faz sua primeira confissão, pré-requisito para tal, depois de um longo tempo de preparação para esse momento, sob a responsabilidade de uma freira.
O que que uma criança como Lelê tem para confessar de errado? O que que ela vai confessar para o padre? Será que essa menina tem tanto pecado assim?

Eu: Minha filha, o que você vai confessar pro padre? Ah, já sei. Você vai falar pra ele que sua mãe lhe ordenou pra você pegar pra comer dois chocolates ferrero rocher e você foi lá e pegou três e traçou os bichos. Você não resistiu as tentações infernais do chocolate!

Lelê: Ih, pai, tem coisa sim, pr’eu confessar pra ele.

Eu: Ah, com certeza. Você vai dizer pro homem santo que você não quis estudar mais um pouquinho pra prova de matemática e foi pra biblioteca ler gibis. Isso é, lógico, um pecado matemático. Ou senão, você vai revelar pro representante de Deus na terra que você vez por outra está desobedecendo a mamãe porque não quer comer de jeito nenhum.

Lelê: Eu vou confessar que eu já falei palavrão...

Eu: É aquela palavra com mais de trinta letras que você fala rapidamente ou é inconstitucionalissimamente?

Lelê: Se é confissão, eu não posso falar.

Eu: Tudo bem, tudo bem! Mas não esqueça de revelar que você me chingou no pensamento quando eu falei, sexta-feira da semana passada, que não iria comprar pizza porque em casa ainda havia bastante comida com muita verdura (arghhh!) pra gente jantar.

Lelê: Eu chinguei?

Eu: Pela expressão de seu rosto tava escrito que você quase me mandou pro paredão.

Bem, a verdade é que Lelê ainda tem muita estrada pra rodar pra um padre mandá-la rezar um pai-nosso, três salva-rainhas e vinte ave-marias.
Amém.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Política

Uma revista com uma foto de uma urna eletrônica estava sobre a mesa da sala e, Lelê, observando-a, perguntou-me se eu iria votar nas próximas eleições. Falei que ia por força da obrigatoriedade, pois sou a favor do seu contrário. Então iria votar nulo. Diante de sua exclamação esclareci que não acreditava em nenhum dos candidatos que aí estavam e muito menos nessa fórmula da obrigação do voto.
Lelê: Pois eu votaria no Lula (talvez ela quisesse falar de Dilma Rousseff, candidata de Lula). E depois indagou:
Lelê: Lula é ladrão?
Eu: Iiiihhh!!!!
Lelê: Mas ele já foi preso na Polícia Federal. (Falou como se isso o crendenciasse como um homem que enfrentou até a polícia para se chegar ao Poder).
Eu: Quem te falou isso?
Lelê: Eu li no google.
Diante dessa informação tenho que ensiná-la a melhor filtrar as informações a meio as milhões de notícias que a internet jorra, porque senão, daqui a pouco ela vai achar que Serra foi primo de Che Guevara, o qual lhe negou cabelo da barba para a sua careca, e que Karl Marx foi tio de Ciro Gomes, quando aquele lutou na Guerra de Canudos juntamente com Antonio Conselheiro.