Quando as meninas – Mauri e Lelê – acordaram eu já havia feito o café delas. Lelê acordou mais tarde e foi buscar meu presente. Eu julgava que seria um livro, e seria O Antologia do Pasquim, volume III, mas já sei que ainda não foi publicado. Então o que seria? Lelê procura fazer mistério, chega com o presente em uma das mãos atrás das costas, se aproxima de mim e de repente estica a mão com o presente. Parabéns, muitas felicidades, eu te amo daqui, eu te amo dacolá, beijinhos, abraços, afagos e, enfim, abro o presente. Como estou cursando o Kumon com ela ganhei um cronômetro, instrumento fundamental nas tarefas diárias. Muito bom, fiquei muito satisfeito porque eu já havia falado pra Maurinete que tínhamos que comprar um de imediato. Lelê ainda me deu um chaveiro com sua foto confeccionado pela Escola Classe especialmente para o dia dos pais com uma chave de cartolina de uns vinte centímetros, com um desenho infantil de uma menininha rodeada de coraçõeszinhos e mais o sol, nuvens e árvores, e no verso escrito: “Papai, tenho você sempre guardado em meu coração!! Feliz dia dos Pais!” – e sua assinatura”. À noite estávamos sentados no chão jogando dominó dos bichos, que ela adora. Que mané Fantástico que nada, estávamos juntando as pontas das pedras jacaré com jacaré, leão com leão, macaco com macaco... e descobrindo a alegria do jogo dos bichos da mata que mata nosso tempo sem bicho para nos matar.
domingo, 10 de agosto de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
Método Kumon
As informações que obtivemos era de que o método Kumon era bom. Temos até colega que tem filhinha de quatro anos de idade que já começou a estudar nesse processo. Letícia, como já falei dia desses atrás, está precisando estudar matemática de forma a perder o medo desse bicho papão, e vimos que os estudos pela metodologia do professor Toru Kumon iria ser o caminho. Ontem fomos a uma unidade aqui perto de casa e já fizemos o teste para saber em que nível ela entraria. Já estamos conscientes de que, pelo fato de entrar no método Kumon agora que sua nota na escola não iria melhorar. O método é a longo prazo, os resultados vem daqui há algum tempo. O que gosto no Kumon é que ele ensina o aluno a ser autodidata. O aluno estuda sozinho, ganha seu próprio ritmo, depende dele o seu desenvolvimento no curso, mas tem a orientação de um instrutor corrigindo seus deveres. A pessoa ganha ritmo de estudo porque todos os dias, repito, todos os dias o aluno tem dever da disciplina que está estudando. O Kumon ensina matemática, a origem do curso, inglês e o idioma pátrio de cada nação em que haja o curso Kumon. Ontem Letícia estava tensa pra fazer o teste pra entrar no curso, e hoje, no primeiro dia de aula já estava relaxada. Trouxe material pra resolver em casa e já está toda contente com o curso, toda serelepe. Que esse entusiasmo seja para sempre. Amém. Ah, como eu vou ter que ir deixá-la todos os dias de aula – são duas vezes por semana -, para não ficar esperando de bobeira resolvi também fazer o Kumon. Vou estudar português. Fiz também testes e deveres da primeira aula. Gostei muito. Diz a professora que eu fui muito bem nos testes para começar e que, se eu continuar com esse ritmo dentro de um ano concluo.Como é uma unidade nova, ainda não tem o inglês – no próximo ano terá – curso que eu e Maurinete queríamos fazer. Portanto, no próximo ano, a família estará unida no Kumon. Depois voltarei a ‘falar’ mais do Kumon.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Como estou dirigindo?
Oração de uma criança: “Deus, que os maus não sejam tão maus e que os bons não sejam tão chatos. Amém”. As vezes fico a me perguntar se estou sendo um pai chato. Mau, tenho a consciência de que não sou. O ideal e o correto é que Lelê seja questionada por alguém. Mas observando bem nosso cotidiano, e do ponto de vista da criança, nós adultos temos momentos que somos maus e temos momentos que somos bons. Se negamos alguma coisa à criança somos maus, se lhe atendemos somos bons. É assim, da ótica infantil. Não me refiro ao ´mau´ no sentido de agressor física e mentalmente à uma criança, porque aí já se trata de doido, maluco. E há momentos em que é preciso dizer ´não´, um ´não´ benéfico. Considero essa questão – bom/mau - muito do ponto de vista dos pais. Cada criança é uma criança, cada pai/mãe é um pai/mãe. Cada vez mais vamos percebendo que a formação de um filho pelos pais é algo que é bom, é fácil, é difícil, é isso, é aquilo... Isso não é nenhuma novidade, não sou entendido de nada. A boa criação de um filho se dá na relação de convivência e zefini. A boa educação é a convivência gostosa. Os pais ensinam aos filhos e os filhos ensinam aos pais. Não depende de grau escolar, de riqueza, de pobreza, de religião, etecetra e tal. É a pedagogia de Paulo Freire: o professor ensina ao aluno aprendendo e o aluno aprende do professor ensinando. Repito: conviver gostosamente.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Feriado
Fui pegar Lelê na Escola Classe, quando ela me viu saiu correndo arrastando sua mochila pra me encontrar na maior alegria.
DD: Que alegria é essa minha filha?
LL: Advinhe!
DD: O Presidente da República morreu e não terá aula amanhã.
LL: Amanhã eu não vou ter aula.
DD: Por quê?
LL: A tia está doente e a tia xis não pode substituir ela porque também está doente.
Vi na alegria dela a alegria que todo brasileiro tem quando há um feriado nacional, e, principalmente, se for um feriado que caia na sexta-feira ou na segunda-feira, ou, melhor ainda se for na quinta-feira pra enforcar a sexta e se ter o prazer de não ver a cara do chefe por uns bons dias e ficar afogado no direito à preguiça com bebida, comida e sono. Lelê se afoga no dormir e brincar, principalmente brincar, um dos pilares dos direitos humanos da criança. Criança que tem seu tempo de brincar na infância cria a base de quatro paredes sólidas em um desenho mágico numa construção lógica por andaimes pungentes. Essa semana deu-me vontade de ouvir a música ´Construção´ de Chico Buarque de Hollanda e ainda ela está ressonando em minha memória.
DD: Que alegria é essa minha filha?
LL: Advinhe!
DD: O Presidente da República morreu e não terá aula amanhã.
LL: Amanhã eu não vou ter aula.
DD: Por quê?
LL: A tia está doente e a tia xis não pode substituir ela porque também está doente.
Vi na alegria dela a alegria que todo brasileiro tem quando há um feriado nacional, e, principalmente, se for um feriado que caia na sexta-feira ou na segunda-feira, ou, melhor ainda se for na quinta-feira pra enforcar a sexta e se ter o prazer de não ver a cara do chefe por uns bons dias e ficar afogado no direito à preguiça com bebida, comida e sono. Lelê se afoga no dormir e brincar, principalmente brincar, um dos pilares dos direitos humanos da criança. Criança que tem seu tempo de brincar na infância cria a base de quatro paredes sólidas em um desenho mágico numa construção lógica por andaimes pungentes. Essa semana deu-me vontade de ouvir a música ´Construção´ de Chico Buarque de Hollanda e ainda ela está ressonando em minha memória.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Resposta ao Dr. Alcindo
No dia 23/7 último escrevi texto neste Blog da Lelê intitulado AGENDA, sobre a orientação que a psicopedagoga deu para que Lelê se organizasse em sua vida para deixar de ser menos relaxada com suas coisas, para que criasse mais responsabilidades no seu dia-a-dia em casa e na escola com seus estudos. Consistia numa folha de isopor constando por escrito em folha de cartolina das tarefas do dia-a-dia de Lelê, desde da hora que acorda até a hora de ir dormir, e, na frente de cada tarefa dessas consta os horários a serem seguidos. Isto vai nos auxiliar de não ficarmos fazendo cobranças constantes para ela, de não ficarmos pegando em seu pé para com suas responsabilidades caseiras e escolares. É só ler o que escrevi lá atrás. Ponto.
O meu amigo Dr. Alcindo, advogado, residente em São Paulo, fez um comentário sobre essa postagem dizendo o seguinte: “Vocês estão massacrando a pobre da menina! Eis a prova... Lelê não sabe, ainda, mas poderia entrar com um Habeas Corpus...” Já ouvi falar muito nesse tal de Hábeas Corpus e, devido minha ignorância jurídica recorro ao dicionário do Aurélio, mesmo sabendo que não é um dicionário jurídico, especializado, mas me dá uma noção correta desse latinismo “habeas cor pos = que tenhas teu corpo” e significa: “garantia constitucional outorgada em favor de quem sofre ou está na iminência de sofrer coação ou violência na sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder”. Arra, diabo, tô lascado. Pelo menos na concepção do Dr. Alcindo. E agora, o que é que eu faço, meu deus do céu! Eu não vou mentir pra Lelê e vou falar pra ela o que significa ‘habeas corpus” e já vou aproveitar para contratar o Dr. Alcindo – acredito que ele fará um precinho camarada pra mim – para ela dar entrada com esse dispositivo jurídico pra processar a mim e a Maurinete. Em contrapartida vou também aproveitar o próprio Dr. Alcindo para fazer nossa defesa. Pode ser inusitado, não sei se isso é legal. Mas antes, dessa bi contratação, tenho algumas considerações a fazer ao Dr. Alcindo, que até poderá ajudá-lo na confecção da acusação e da defesa que ele provavelmente nos fará. É o seguinte: quando o senhor, Dr. Alcindo, era criança, assim, nessa faixa de idade de Lelê, seus pais deixavam que você acordasse lá pelas 10h. ou mais e assim fazia com que você não fizesse seus deveres escolares, ou, se estudasse pela manhã, perderia praticamente todas as aulas porque chegaria muito tarde? Sim, eu sei, Vossa Excelência foi uma criança modelo e seus pais nunca o chamaram a atenção para você almoçar, arrumar sua cama, dar uma geral no seu quarto, tomar remédio, tomar banho, escovar os dentes, dormir mais cedo e não ir dormir a hora que bem entendesse pra não perder aulas no dia seguinte, e por aí vai. O senhor, Dr. Alcindo, acredita que nós estamos massacrando nossa Lelê porque queremos que ela brinque em determinado horário para não perder aulas, que ela goste de comer frutas, que goste de ler, que goste de nos ajudar em alguma atividade caseira, que não deixe de ver televisão – seus programas prediletos, que tenha toda liberdade mas não deixe de fazer suas obrigações cotidianas, como o senhor mesmo teve de estudar, brincar e ser legal como Vossa Excelência o é. Vê aí, espero que Vossa Excelência faça os autos do processo com critério, e, caso eu seja condenado, vou usufruir dessa excrescência da justiça brasileira de ir para uma cela distante da marginália porque tenho diploma superior.
O meu amigo Dr. Alcindo, advogado, residente em São Paulo, fez um comentário sobre essa postagem dizendo o seguinte: “Vocês estão massacrando a pobre da menina! Eis a prova... Lelê não sabe, ainda, mas poderia entrar com um Habeas Corpus...” Já ouvi falar muito nesse tal de Hábeas Corpus e, devido minha ignorância jurídica recorro ao dicionário do Aurélio, mesmo sabendo que não é um dicionário jurídico, especializado, mas me dá uma noção correta desse latinismo “habeas cor pos = que tenhas teu corpo” e significa: “garantia constitucional outorgada em favor de quem sofre ou está na iminência de sofrer coação ou violência na sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder”. Arra, diabo, tô lascado. Pelo menos na concepção do Dr. Alcindo. E agora, o que é que eu faço, meu deus do céu! Eu não vou mentir pra Lelê e vou falar pra ela o que significa ‘habeas corpus” e já vou aproveitar para contratar o Dr. Alcindo – acredito que ele fará um precinho camarada pra mim – para ela dar entrada com esse dispositivo jurídico pra processar a mim e a Maurinete. Em contrapartida vou também aproveitar o próprio Dr. Alcindo para fazer nossa defesa. Pode ser inusitado, não sei se isso é legal. Mas antes, dessa bi contratação, tenho algumas considerações a fazer ao Dr. Alcindo, que até poderá ajudá-lo na confecção da acusação e da defesa que ele provavelmente nos fará. É o seguinte: quando o senhor, Dr. Alcindo, era criança, assim, nessa faixa de idade de Lelê, seus pais deixavam que você acordasse lá pelas 10h. ou mais e assim fazia com que você não fizesse seus deveres escolares, ou, se estudasse pela manhã, perderia praticamente todas as aulas porque chegaria muito tarde? Sim, eu sei, Vossa Excelência foi uma criança modelo e seus pais nunca o chamaram a atenção para você almoçar, arrumar sua cama, dar uma geral no seu quarto, tomar remédio, tomar banho, escovar os dentes, dormir mais cedo e não ir dormir a hora que bem entendesse pra não perder aulas no dia seguinte, e por aí vai. O senhor, Dr. Alcindo, acredita que nós estamos massacrando nossa Lelê porque queremos que ela brinque em determinado horário para não perder aulas, que ela goste de comer frutas, que goste de ler, que goste de nos ajudar em alguma atividade caseira, que não deixe de ver televisão – seus programas prediletos, que tenha toda liberdade mas não deixe de fazer suas obrigações cotidianas, como o senhor mesmo teve de estudar, brincar e ser legal como Vossa Excelência o é. Vê aí, espero que Vossa Excelência faça os autos do processo com critério, e, caso eu seja condenado, vou usufruir dessa excrescência da justiça brasileira de ir para uma cela distante da marginália porque tenho diploma superior.
domingo, 3 de agosto de 2008
A Utopia da Modernidade
Depois que almoçamos no apartamento de meu irmão Valdim fomos ver a exposição “A Utopia da Modernidade: de Brasília à Tropicália”. Há dias que eu queria leváLelêlá – a Tropicália nus faz in ventar pa lavras – e fomos eu, Maurinete, Lelê e Vanessa Felleti, amiga capixaba nossa que está hospedada em casa. A exposição está no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Na área externa a gente já encontra obras sugestivas, como o próprio nome da exposição, A UTOPIA E MODERNIDADE, feito em compensado de tamanho gigante, cor mostarda – cada letra com quase três metros de altura por uns quase dois. Como a própria Tropicália, difícil não chamar a atenção. Dizem que lá de cima, de avião, dá pra se ver essas palavras gigantes. Havia também outros parangolés interativos que Lelê correu logo pra pegá-los, brincar, interagir. A porta de entrada são letras giratórias, e não porta. Só deu pra Lelê. Dentro, fotos em tamanho natural e recortadas no contorno de automóveis da década de 50/60 e de políticos, autoridades, como Juscelino Kubitschek, e candangos – os que botaram a massa pra construir Brasília. Os visitantes tiravam fotos com elas, as fotos. No rodapé de uma parede frases escritas. Móbiles de Athos Bulcão, falecido semana passada aqui em Brasília. Um corredor semi-escuro em que as pessoas de roupas claras se destacavam ao passar nele. Mas o mais legal mesmo era a montagem de um painel de fotos de revistas, jornais e capas de discos da década de 50/60 com todo tipo de gente famosa: Sartre; Pelé; Michel Foucault; uma capa de disco com o desenho do rosto de Nara Leão no início de sua carreira, sensacional; músicos: de Jimi Hendrix a Roberto Carlos; escritores: de Clarice Lispector a Jorge Amado; artistas da moda e com roupas da moda; políticos e o escambau. No centro do painel uma televisão que deveria ser o modelo das primeiras do Brasil, passando imagens em preto e branco daquela época. Nós íamos explicando pra Lelê quem era quem. Getúlio Vargas, depois de saber que ele suicidou, Lelê queria saber porque ele cometeu esse ato. Acabou que saímos da exposição e não explicamos os motivos. Além da tv havia um rádio do tempo de minha bisavó, funcionado, com a música Tropicália de Caetano Veloso. Era a música de fundo quando se entrava no espaço da exposição. Pronto, Lelê deu os primeiros passos na história de Brasília, na de Jusça, como ela se refere a JK, e na do Tropicalismo. Pelo menos os principais nomes do Tropicalismo ela já sabe – Cae/Gil e seus afluentes, como Milton Nascimento e Jorge Bem, a quem ela ama de paixão, como ela diz. Tenho um cd com os principais sucessos de Jorge Bem e ela sabe cantar quase todo de cor.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Leitura
Ih, há quantos dias Lelê já terminou de ler o livro Blog da Cacau. Ela passou pra tia Bel ler. Ela adorou. É um livro de uma linguagem fluente, cativante, próprio pra gente de sua idade, com assuntos de seu interesse feminino. Já falei nisso por aí acima, mas é que quero dizer, falando em leitura, que Lelê parou de ler o livro de Monteiro Lobato, O Minotauro. Acredito que ela sentiu o texto um pouco pesado, por enquanto. Não vou forçar para ela continuar porque sei que mais tarde ou mais cedo ela o retomará. Leitura, para qualquer que seja a fase de vida, tem que ser natural, sem forcação de barra, porém com uma boa orientação, como todo mundo sabe. Muita gente fala que começou a ler já na infância com Monteiro Lobato, que é sensacional, mas, por enquanto Lelê emperrou. Depois do Blog da Cacau ela já leu As Aventura do Avião Vermelho, de Érico Veríssimo. Comprei num sebo. Muita gente só conhece a obra para adultos do gaúcho Érico, mas ele também escreveu, para crianças, Os Três Porquinhos Pobres; Rosa Maria no Castelo Encantado; O Urso-com-Música-na-Barriga; A Vida do Elefante Basílio e Outra Vez os Três Porquinhos. Este primeiro semestre ela está um pouco displicente com a leitura de livros, mesmo porque eu também dei uma relaxada em não ter dado uma devida atenção para essa questão, mas quero retomar seu pique do ano passado.
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